Às vésperas do julgamento da privatização da Eletrobras, o ministro Aroldo Cedraz, relator do caso mais importante do Tribunal de Contas da União nos últimos anos, resolveu viajar por quase três semanas. Entre 19 de abril e 5 de maio, Cedraz foi a um evento institucional em Londres e, em seguida, participou de um curso na Califórnia. Levou um assessor. A experiência dos dois na Inglaterra e nos Estados Unidos custou cerca de 340 mil reais aos cofres públicos, entre passagens, diárias e matrículas no curso “Singularity Executive Program”, em Mountain View.
A excursão começou em Londres. Cedraz e o assessor dele, Gledson Pompeu Corrêa da Costa, passaram oito dias na capital londrina para prestigiar um encontro que discutiu o uso de tecnologias avançadas para a análise de dados de órgãos como o TCU. Esse trecho custou aos contribuintes cerca de 65 mil reais, em passagens e diárias.
De lá, foram a Mountain View para o curso executivo Singularity, objeto de desejo entre quem gosta de tecnologia – e tem grana para se capacitar. Foram cerca de 83 mil reais de matrícula para cada um deles e 110 mil em passagens e diárias. A capacitação pode ser singular, mas o custo também foi: 275 mil reais.

Questionado sobre os gastos, o TCU disse que “a designação de ministros e servidores para participar de ações de capacitação tem a finalidade de construir conhecimentos que possam apoiar a atuação do Tribunal”.
Ainda de acordo com a Corte, “as autoridades também podem ser designadas para representação institucional em reuniões técnicas com outros órgãos e entidades, dentro e fora do País. A assessoria do ministro, quando necessária, presta assistência à autoridade nos assuntos relativos ao evento”.
O Ministro Aroldo Cedraz foi procurado pelo Bastidor, mas não respondeu ao contato.

