Lula pretende usar sua viagem à China para jogar com os Estados Unidos. Ao aceitar a data proposta pelo Brasil para reencontrar o presidente brasileiro no dia 11, o presidente chinês, Xi Jinping, enviou dois sinais: prestigia a relação entre os países, dando importância política ao país; e o Brasil é um parceiro econômico prioritário.

Lula não quer deixar passar a impressão de que sua viagem aos Estados Unidos foi inútil. Sua ida significou apoio às eleições brasileiras e indicou prestígio. Mas, efetivamente, nada mudou na relação entre os países – seja na importância que os americanos dão ao Brasil em parcerias econômicas; seja na eventual participação do país num improvável acordo de paz entre Rússia e Ucrânia.

China e EUA disputam influência econômica e política no mundo. Estão num momento áspero e de desconfiança mútua, com a possibilidade de os americanos vetarem o Tik Tok no país por suspeita de espionagem, entre outros entreveros.

É com isso que Lula vai trabalhar. Quer usar sua proximidade com a China para buscar mais relevância nas articulações para o improvável acordo de paz entre Rússia e Ucrânia, mas não só.

Sabe que o governo americano quer evitar o avanço da China na América do Sul e que, para isso, precisará do Brasil. Lula pretende levantar um cardápio de projetos e ações que podem contar numa mesa de negociação para melhorar a balança comercial em relação ao EUA.

Hoje, a China é o principal parceiro do Brasil, seguido dos Estados Unidos. O problema é que o Brasil exporta para a China o triplo do que exporta para os EUA.

Esse tipo de jogo é velho, um clichê na diplomacia. O que não quer dizer que não seja jogado, nem que não seja eficiente.