Dado com bem-sucedido, o acordo que selou a ida do ex-deputado Danilo Cabral, do PSB, para a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) não passou sem causar cicatrizes.

Dentro do próprio PSB e entre aliados do governo restou uma amargura. É que o mesmo grupo político, de Pernambuco, ficou com o Banco do Nordeste e com a Sudene. Um tem o orçamento de 35 bilhões de reais; e o outro, de 78 milhões.

Em março, para ocupar a posição à frente do BNB, o ex-governador Paulo Câmara se desfiliou do PSB. Mas permanecem seus laços com a legenda, para onde foi levado por Eduardo Campos. Sua saída da legenda ocorreu como forma de garantir a nomeação.

O cargo a Câmara era uma questão de honra, porque o então governador batalhou internamente para garantir o apoio do PSB a Lula. Foi recompensado. E não ficou aí.

Agora, na tentativa de garantir o apoio fiel da bancada, o governo dá outro bom cargo ao partido, o comando da Sudene.

Um dos que não gostaram do espaço dado ao PSB —e principalmente pelo conjunto do orçamento— está o Solidariedade, de Paulinho da Força e de Marília Arraes, que chegou a ser cotada para o ministério.

Ela queria a Sudene. Não conseguiu. Um dos motivos é que o cargo era prometido ao senador Humberto Costa (PT-PE) – que desistiu de colocar um assessor seu para indicar Cabral e garantir a aliança de PT e PSB no estado, de quem é fiador há anos.

Marília nunca se deu com Costa. Foi do PT e saiu da legenda brigada com o grupo petista em Pernambuco. Manteve, porém, proximidade com Lula, para quem pediu votos durante a campanha do ano passado. Ela quis, mas não levou. Aguarda, ainda, para ver onde o presidente vai alocá-la.

Também não ficaram felizes, pelo mesmo motivo —o tamanho do orçamento controlado por Pernambuco— outras seções do PSB, como Rio Grande do Sul e São Paulo.