Grupos de extrema-direita estão com todas as forças tentando emplacar a tese de que o empresário George Washington de Oliveira Sousa, preso pela Polícia Federal, é um membro da esquerda, infiltrado no ato ilegal que ocorre desde o início de novembro, na frente do quartel general do Exército, em Brasília.

Sousa foi preso no sábado (24), suspeito de ter armado uma bomba em um caminhão-tanque, nos arredores do Aeroporto Internacional Juscelino Kubistchek, em Brasília. Em depoimento, ele confessou a autoria e disse que tinha pelo menos outros dois homens envolvidos no atentado que falhou. Não há qualquer prova que o ligue a grupos de esquerda.

Nos grupos monitorados pelo Bastidor, circulam vídeos que colocam em dúvida a agilidade da Polícia Federal em prender Sousa, bem como o depoimento em que confessou a autoria.

A tática tem como objetivo claro desviar as atenções para o crime, que poderia ter deixado pessoas feridas ou mortas. Também tenta desconstruir a imagem de violência associada aos protestos comandados por bolsonaristas, insatisfeitos com o resultado das urnas.

Desde que Lula venceu as eleições, grupos organizados têm realizado manifestações que começaram com o bloqueio de rodovias e depois seguiram para a frente de quartéis do Exército, em todo o país. Apesar da flagrante ilegalidade, nenhum ato mais incisivo foi tomado para inibir esses atos.

Em algumas oportunidades, houve cenas de violência e barbárie, quando, por exemplo, manifestantes trocaram tiros com policiais rodoviários federais e na tentativa frustrada de invasão da sede da Polícia Federal, em Brasília, quando carros e ônibus foram incendiados.