O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, avisou aos líderes que vai analisar a instalação da CPI da Educação, protocolada pela oposição nesta terça-feira.

Nas conversas que manteve durante o fim de semana e na segunda-feira, 27, Pacheco admitiu que, protocolado o requerimento de CPI, vai analisar com o colegiado todos os requerimentos pendentes.

O objetivo inicial da CPI será investigar as denúncias de desvio de recursos públicos na associação entre o então ministro da Educação Milton Ribeiro e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, encaminhados a ele a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

Como o regimento estabelece um limite de cinco CPIs em funcionamento simultâneo, a estratégia do governo é criar outras, mais antigas, para impedir a da Educação. São elas: a das ONGs da Amazônia; a CPI do Narcotráfico; e a CPI das Obras Inacabadas do MEC.

Pacheco irá analisar todos os pedidos com os líderes e com a assessoria técnica do Senado. De acordo com fontes do Senado, uma análise prévia exclui da lista o requerimento para a criação da CPI da Amazônia, protocolada em 2019, porque foi arquivada por Davi Alcolumbre no fim de seu mandato como presidente do Senado.

O requerimento da CPI das Obras Inacabadas do MEC poderá ter o mesmo fim, pois há o entendimento de que falta um fato determinado, como estabelece o regimento do Senado.

Sobraria apenas a do Narcotráfico, que poderia ser instalada sem prejuízo da CPI da Educação.

Até a semana passada, Pacheco estava resistente à instalação da comissão, mas foi convencido pela oposição de que segurar a CPI seria tão ruim para a sua campanha à reeleição quanto aprová-la.

Ao líder do governo, Carlos Portinho, Pacheco disse ontem que, se quiser evitar a CPI, o governo que trabalhe com sua base de apoio. Há duas alternativas. Até a análise do requerimento, senadores podem retirar assinaturas de apoio. Após aprovada a criação da CPI, os partidos podem não indicar seus membros para compor a comissão.