Grupos de apoiadores de Jair Bolsonaro e defensores de uma intervenção militar passaram a madrugada desta terça-feira (13) tentando limpar a própria imagem, devido aos atos de vandalismo na região central de Brasília, depois da diplomação de Lula e Geraldo Alckmin.

Em grupos monitorados pelo Bastidor desde as eleições, apoiadores de Bolsonaro atribuíram a violência a “infiltrados de esquerda”. Segundo eles, até agora, não houve nenhuma situação semelhante envolvendo diretamente os manifestantes de extrema-direita no país, o que não é verdade.

Um dos grupos que o Bastidor acompanha é mantido por Ana Priscila de Azevedo, que se diz “militarista”. Em redes sociais, ela se coloca como defensora de um governo militar, mas afirma ser contra a defesa de Bolsonaro na liderança desse regime. Mais de 30 mil pessoas estão inscritas em seu canal no Telegram.

Ao longo da madrugada, Ana Priscila enviou uma série de vídeos e áudios tentando colocar dúvida sobre quem estava realizando os atos de violência em Brasília. Em uma das postagens do canal, chegou a chamar o indígena preso de “índio traficante”.

Outro grupo, com bem menos seguidores, publicou dezenas de imagens de supostos infiltrados. Na versão deles, tratam-se de membros de grupos de black blocs e de grupos antifascistas.

Ainda na noite de segunda-feira (12), manifestantes começaram a depredar veículos e cometer outros atos de vandalismo, em frente à sede da Polícia Federal, onde o indígena José Acácio Tserere Xavante estava detido. Ele foi preso por ordem do Supremo Tribunal Federal, a pedido da Procuradoria-Geral da República, por incitar atos semelhantes. O cacique é apoiador de Jair Bolsonaro.

Pelo menos cinco ônibus e oito carros foram incendiados pelos manifestantes. Não há informações de pessoas feridas, nem de prisões que possam ter ocorrido durante a noite.

O Bastidor mostrou também que Jair Bolsonaro tem silenciado diante das críticas aos atos de violência. Para os apoiadores, a postura é vista como anuência.