Coube ao senador Flávio Bolsonaro construir a aliança entre Ibaneis Rocha e José Roberto Arruda, que rivalizava com o projeto de reeleição do governador do Distrito Federal.

Ibaneis, do MDB, cobrou uma intervenção do presidente Jair Bolsonaro para resolver o impasse. Bolsonaro vinha flertando com a ideia de Arruda, de seu PL, disputar o governo do DF – porque entende ser vantajoso ter seu número de legenda nos cargos majoritários país afora.

Novato na política, Ibaneis foi mais eleito de carona na onda bolsonarista de 2018. Ao longo do mandato, não agiu como um “bolsonarista raiz”. Mas foi uma voz de apoio ao presidente no fórum de governadores, que confrontou a inação do governo federal durante a pandemia.

Incomodado com a volta súbita de Arruda ao páreo, Ibaneis sugeriu a Flávio que poderia endossar outros aliados do MDB na defesa de uma aliança com o ex-presidente Lula.

Líderes do MDB em nove estados encontraram Lula em São Paulo para declarar apoio e ontem estavam em reunião com ex-presidente Michel Temer tentando melar a pré-candidatura de Simone Tebet.

A ameaça de Ibaneis surtiu efeito. Flávio avisou o pai e Bolsonaro chamou todos no Palácio do Planalto: Ibaneis, os aliados José Roberto Arruda e Flávia Arruda, além de Damares Alves, e acertou sua chapa na capital federal.

Ficou decidido que Bolsonaro apoiará a reeleição de Ibaneis, Flávia será a candidata ao Senado e Arruda será candidato a deputado federal, como puxador de votos. Damares Alves, que queria ser candidata ao Senado, terá de se contentar em disputar uma vaga de deputada federal.