A desconfiança que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), nutre em relação ao governo Lula teve seu ponto de inflexão durante o embate sobre o retorno das comissões mistas na tramitação de Medidas Provisórias.

A discussão envolveu, além do Palácio do Planalto e Lira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que foi adversário da Câmara no tema.

O senador defendia a volta da tramitação nos moldes do que ocorria antes da pandemia de Covid-19, quando as MPs eram analisadas por comissões mistas e depois iam ao plenário.

Lira, por outro lado, fez de tudo para levar as MPs direto ao plenário. Saiu derrotado após Pacheco, que também preside o Congresso, acatar uma questão de ordem de Renan Calheiros (MDB-AL) pela volta das comissões.

Durante a discussão, Lira ouviu de líderes petistas que o governo preferia o modelo adotado durante a pandemia, por ser mais célere. Na época, ele chegou a se reunir com Lula para tratar do tema.

Lira se sentiu ludibriado quando notou que alguns no governo, como o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, trabalhavam em favor de Pacheco na discussão. A desconfiança impera desde então.

A relação do presidente da Câmara com o governo era mais amistosa até ali. A aprovação da PEC da Transição, antes mesmo de Lula assumir, era usada como exemplo de expectativa de boa convivência entre os Poderes.

A indefinição sobre o rito das MPs fez com que o governo sofresse e só conseguisse aprovar, em cima da hora, a medida provisória que reestruturou os ministérios – ainda assim, teve de engolir várias mudanças. Como mostrou o Bastidor, há um cessar-fogo e não um acordo de paz entre Lula e Lira.