A interlocutores, Lula já admitiu em conversas recentes que a relação com o Congresso está mais difícil do que fora nos seus dois primeiros mandatos, de 2003 a 2010.
Os cinco primeiros meses de governo serviram para que o presidente concluísse, segundo afirmou a um aliado, que, sem aprovação popular ou qualquer discussão com a sociedade, os parlamentares querem impor uma dinâmica que é um semipresidencialismo informal. Mas, para ele, o pior dos mundos é o parlamento controlar o orçamento sem a responsabilidade sobre a gestão.
Em regimes semipresidencialistas, o presidente cumpre alguns papeis institucionais e é chefe do Estado, enquanto o Congresso controla o orçamento. Mas, nestes casos, é o primeiro-ministro, saído do parlamento, o responsável pela gestão do governo, como a elaboração e implementação de políticas públicas. Ele é quem é cobrado por geração de emprego, inflação etc.
Lula ficou especialmente irritado ontem (15), ao saber da ideia de líderes, não rechaçada por Arthur Lira, de aprovar na esteira do arcabouço fiscal a possibilidade e dar ao Congresso a prerrogativa de decidir o que fazer com sobras da arrecadação. Para Lula, é uma tentativa de o Congresso comandar mais o orçamento, a exemplo do que fazia com as emendas do relator.

