A pesquisa Abrapel/Ipespe divulgada nesta terça-feira mostra uma dificuldade de Lula frente a Jair Bolsonaro neste segundo turno. Lula continua à frente em todos os cenários, mas seu eleitor se mostra menos interessado na eleição que o bolsonarista. Como a diferença entre eles é curta, isso pode fazer diferença no dia 30.

O levantamento do Ipespe é o primeiro a testar o interesse dos eleitores no debate da Band, no domingo. Assistiram a parte ou a todo debate 46% dos entrevistados.

Entre os eleitores de Lula, 40% assistiram ao debate todo ou em parte; 60% não viram, só souberam algo ou nem tomaram conhecimento. Entre os eleitores de Bolsonaro, 57% viram parte ou todo o debate, enquanto 43% só ouviram falar, não viram ou nem souberam nada.

Por estes dados, os eleitores de Lula estão menos interessados na eleição que os bolsonaristas. Os motivos podem ser vários. Mas numa campanha tão acirrada e agressiva, os eleitores de Bolsonaro dão mais atenção que os de Lula.

Ao mesmo tempo, 78% dos eleitores responderam ao Ipespe estar muito interessados ou terem algum interesse na eleição. Como não é possível calcular a abstenção antes da votação, os institutos usam este dado para inferir qual será a fatia de eleitores que não aparecerão para votar. Historicamente, esta taxa fica entre 20% e 22%.

Juntando as duas pontas, a desvantagem de Lula é que, por dados históricos, os eleitores que mais faltam são os mais pobres – e é justamente nesta camada que ele tem mais votos. Se muitos de seus eleitores são desta camada e demonstraram menos interesse no debate, pode ser um indicador que também estão menos mobilizados para sair de casa e votar no dia 30.

Neste sentido, a decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que libera prefeitos para oferecerem transporte de graça no dia da eleição. Com este benefício, muitos eleitores podem não deixar de votar. A decisão, contudo, é controversa no campo jurídico.  

Um dos desafios da campanha de Lula é mobilizar esses eleitores que tendem a faltar. É algo que Bolsonaro não precisa fazer.