Rápida para bloquear estradas no domingo, a Polícia Rodoviária Federal está lenta no desbloqueio nesta segunda-feira. A Advocacia-Geral da União (AGU) disse há pouco que a PRF não precisaria consultar o órgão para começar a liberar as estradas fechadas por bolsonaristas em 11 estados e no Distrito Federal.

Bolsonaristas incoformados com a derrota começaram a fechar estradas na noite de ontem. Entre eles estão muito caminhoneiros. Eles colocam como condição para sair do caminho um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que está em silêncio desde ontem.

Em nota enviada mais cedo ao Bastidor, a Polícia Rodoviária Federal disse que acionou a AGU para pedir o ingresso de ações na Justiça Federal que proíbam a interdição das rodovias. Segundo a corporação, os policiais acompanham os protestos sem nenhuma intervenção direta. Apenas negociam com os manifestantes para liberar as estradas.

Mas a AGU diz que a PRF nem precisava fazer isso. Afirma que já emitiu em 2020 pareceres jurídicos garantindo que a polícia possa agir de ofício – ou seja, sozinha – para debelar manifestações que bloqueiam as estradas do país. “A atuação judicial da AGU ocorre apenas quando, no caso concreto, as instituições de polícia entendem que precisam de medida judicial para garantir a liberação de rodovias”, diz o órgão.

A AGU diz, porém, que só recebeu pedidos da PRF para a liberação das rodovias em Goiás, Rondônia e Pará.

No domingo, a PRF foi criticada por fazer bloqueios em especial no Nordeste. Os policiais pararam veículos nas estradas e causaram filas em várias cidades. O trabalho foi visto como uma ação política, para tentar impedir os moradores da região, mais favoráveis a Lula, de comparecerem às urnas.

O diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, é bolsonarista e fez propaganda eleitoral do presidente em suas redes sociais ontem. À tarde, ele se reuniu com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes. O ministro afirmou em entrevista coletiva, depois do encontro, que as ações dos policiais não impediram nenhum eleitor de votar.