O secretário de Relações Governamentais da Casa Civil, Bruno César Grossi de Souza, será o responsável por liberar ou não alterações que o ministro da Economia, Paulo Guedes, queira implementar no Orçamento de 2022. A função, originalmente, deveria ser de Ciro Nogueira.
No dia 12 de janeiro, Jair Bolsonaro editou decreto que deu a Guedes o poder de alterar o Orçamento, para incluir novas despesas que ele julgue necessárias. As mudanças, no entanto, ficam dependentes de aprovação da Casa Civil, chefiada por Ciro Nogueira. No dia 20, Nogueira publicou uma portaria repassando o trabalho a Souza.
Economista, Souza é funcionário concursado do Ministério da Economia, atuando na pasta desde 1998. Sob condições normais, deveria ser subordinado a Guedes, mas ocupa cargo comissionado na Casa Civil e agora responde diretamente a Ciro Nogueira.
Entre as funções que ocupou estão a de secretário Adjunto de Orçamento Federal de Orçamento, do finado Ministério do Planejamento. Ou seja, é um nome técnico, para assumir uma atribuição com extremo viés político.
Em geral, as alterações no Orçamento atendem a demandas políticas. São pedidos feitos por parlamentares para incluir gastos não previstos. Em ano eleitoral, é de se prever que Souza terá muito trabalho.
A chegada à Casa Civil
Bruno César Grossi de Souza entrou no governo atuando na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, ou seja, trabalhava muito próximo a Bolsonaro. O cargo que tinha era importante. Em outros governos, como o de Dilma Rousseff, essa secretaria tinha status de ministério.
A nomeação foi a pedido de Jorge Oliveira, então chefe da Secretaria-Geral da Presidência e agora ministro do TCU. Os dois são muito próximos. Ficou no cargo até ser substituído pelo almirante Flávio Augusto Viana Rocha.
Em 2021, Souza foi nomeado para o cargo que ocupa na Casa Civil. Tem perfil considerado técnico e é um homem de confiança de Bolsonaro.
Na função que recebeu, poderá livrar Ciro Nogueira de algumas enrascadas políticas, como negar pedidos de parlamentares e apoiadores do governo, sobretudo com políticos do Centrão. Em vez de o ministro assinar portarias negativas, deixará o desgaste com o secretário, que não tem pretensões eleitorais à vista.
*Colaborou Nonato Viegas

