Volodymyr Zelensky tem peregrinado (digitalmente) pelos legislativos ao redor do mundo para denunciar a invasão russa na Ucrânia e os crimes de guerra cometido pelas tropas de Vladimir Putin. Nessas falas, o presidente ucraniano usa da emoção e da história para tentar comover políticos europeus e dos EUA.
Foram três ocasiões assim nos últimos 10 dias. A primeira ocorreu no Reino Unido, em 8 de março, quando disse ao parlamento que “lutaria por sua terra, custe o que custar”, em referência ao conhecido discurso de Winston Churchill, primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra.
No dia 16, o presidente judeu acusado (absurdamente) de ser nazista afirmou ao Capitólio que tem vivido diariamente o mesmo que os Estados Unidos sofreram em 11 de setembro de 2001. Pedia, mais uma vez, a criação de uma zona de restrição aérea sobre a Ucrânia – medida fortemente rechaçada por Joe Biden, mas apoiada por parte dos parlamentares norte-americano.
“Eu tenho um sonho. Essas palavras são conhecidas por cada um de vocês. Hoje, eu posso dizer que tenho uma necessidade. Preciso proteger o céu [ucraniano]”, complementou, em referência ao célebre discurso de Martin Luther King.
A última mostra da tática foi na Alemanha, envolvendo o Muro de Berlin. Na quinta-feira (17), afirmou que o Bundestag precisa ajudar a acabar com a máquina militar construída pela Rússia também com o dinheiro alemão que pagou pelo gás russo, entre outros produtos e serviços do país. “Estimado chanceler [Olaf] Scholz, derrube esse muro”, pediu Zelensky diretamente ao líder bávaro.
Essas falas são apenas uma mostra externa do que o presidente ucraniano tem feito com seus conterrâneos. Se antes ele satirizava o nacionalismo ucraniano, por conta dos muitos grupos que integram aquela sociedade, tem preferido atualmente destacar a bravura, a solidariedade e o esforço dos cidadãos que lidera.
Zelesnky sempre cita em seus vídeos diários como a Ucrânia, apesar de menor e mais pobre do que a Rússia, tem conseguido resistir aos incessantes ataques. Essa mensagem é complementada pelos canais oficiais, que divulgam atos de coragem, companheirismo e vídeos mostrando as forças armadas quase que como guerreiros mitológicos.

