A segunda parte da pesquisa Quaest, divulgada nesta quinta-feira (5), joga pressão sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O eleitorado rejeita a estratégia de Bolsonaro de se manter como candidato em 2026, apesar de estar inelegível, e não apoiar outro candidato da direita para enfrentar o presidente Lula.

Para 65% dos entrevistados, Bolsonaro deveria abrir mão de uma candidatura inviável e apoiar, desde já, alguém do seu campo. Pelos números apresentados, o preferido dos eleitores é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos. Ele tem 17% das preferências, contra 16% de Michelle Bolsonaro e 11% do governador do Paraná, Ratinho Júnior. O deputado Eduardo Bolsonaro, provável escolhido do pai, tem 4%.  

Até agora, o plano de Bolsonaro é insistir em si mesmo. Sua justificativa é que é o candidato com maiores chances de vencer Lula. Segundo a Quaest, os dois empatariam em 41% em um eventual segundo turno.

Mas Bolsonaro está inelegível e dificilmente conseguirá mudar esta situação porque deve ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal ainda este ano, pela tentativa de golpe de estado de 2022. O plano de Bolsonaro é imitar Lula em 2018: manter a situação como está até abril do ano que vem , registrar a candidatura e, na última hora, desistir – no seu caso, em favor de Eduardo Bolsonaro.

A estratégia é arriscada. Um candidato com o apoio de Bolsonaro desde já poderia se consolidar aos poucos. Os números mostram que Lula nunca esteve tão fragilizado – portanto, a direita nunca teve melhores chances. Para 66% dos entrevistados, o presidente não deveria tentar a reeleição. Lula ainda vence todos os candidatos, segundo a Quaest, mas sua vantagem está em queda.