O barulho da votação de domingo ainda vai durar alguns dias, mas Lula e Jair Bolsonaro estão concentrados no que é importante, buscar apoios para o segundo turno. Como os dois disputaram uma espécie de segundo turno antecipado, resta pouco a absorver. Mas é aquele pouco que pode fazer a diferença.
Como esperado, o governador de Minas, Romeu Zema, reeleito no primeiro turno, declarou apoio a Bolsonaro. É um apoio importante, justamente no único estado do Sudeste em que Lula venceu Bolsonaro.
Lula espera contar como apoio de Simone Tebet e de parte da frente que reúne Cidadania e PSDB, um partido em extinção. Mas apenas parte: estarão com Lula os veteranos do PSDB, que têm muito nome e pouco voto. A parte que faria diferença, os prefeitos do interior de São Paulo, começa a declarar apoio a Bolsonaro. Ciro Gomes? Ninguém sabe para onde vai ou o que vai fazer.
Bolsonaro leva vantagem no momento. Teve mais votos que o calculado pelas pesquisas, o que gerou um clima positivo em seu entorno. No PT, a vitória de ontem, apesar de significativa, caiu como aquele empate que um time superior leva no final do jogo.
Apesar de estar em má situação, Bolsonaro deixou de ser o candidato que todos abandonam. A perspectiva de poder faz com que o Centrão repense seu apoio e comecem a aparecer apoios como do interior paulista, onde há um viés antipetista.
É tarde para Lula buscar apoios significativos entre evangélicos e parece tarde para Bolsonaro obter ganhos entre os mais pobres com o Auxílio Brasil, apesar de o governo ter anunciado que antecipará o pagamento de novembro para poucos dias antes do segundo turno, em 30 de outubro.
A campanha nas ruas, feita com a ajuda de deputados e prefeitos começou. Os próximos dias serão cruciais. Apesar dos problemas, as pesquisas serão norteadoras. Se Bolsonaro continuar em ascensão, obterá mais apoios. Lula terá de se manter onde está ou até crescer, confirmando as projeções de segundo turno feitas até a semana passada. Do contrário, ambos terão surpresas.

