Os coordenadores de campanha e auxiliares do presidente aconselharam Jair Bolsonaro a não confrontar diretamente o ministro Alexandre de Moraes, que autorizou nesta terça-feira, 23, uma operação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas.

Eles acham mais inteligente preservar a autoridade do presidente e delegar o confronto a Moraes aos filhos de Bolsonaro e aos demais aliados de confiança do candidato à reeleição.

A estratégia de poupar o presidente envolve, sobretudo, seus filhos zero um e zero três, Flávio e Eduardo. Ficaram com a missão de criticar e repercutir os ataques ao ministro e à operação, numa tentativa de dar um rumo à militância digital.

Mais cedo o Bastidor informou a pressão que Jair Bolsonaro vinha sofrendo de apoiadores para que agisse contra a operação da Polícia Federal e Moraes, que, além de relatar o inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal, é presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Carlos Bolsonaro, um dos alvos do inquérito, também não se manifestou publicamente, mas ao seu pai, laconicamente, disse que “era esperado” o que considera um ataque ao pai e a seus apoiadores.

Apesar da orientação da coordenação de reeleição, que incluiu além do próprio Flávio Bolsonaro, o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, e Fábio Faria e Fábio Wajngarten, ninguém sabe se o presidente permanecerá em silêncio ou, em se manifestanto, vai evitar o ataque a Moraes.

A avaliação é de que os ataques de Bolsonaro a ministros do Supremo não dá voto, embora todos tenham considerado, no mínimo, uma provocação de Moraes.

Além de retuitar comentários dos alvos da PF, Flávio Bolsonaro escreveu ser “insano determinar busca e apreensão” contra “empresários honestos”, alguns, disse, “conhecidos de ministros do STF”, por “dizerem que preferem qualquer coisa ao ex-presidiário”, referindo-se a Lula.

Eduardo Bolsonaro foi mais duro e sugeriu que parcialidade do STF ao não haver uma operação por canetada a partir de uma conversa de supostos integrantes do PCC citando “diálogo” com o PT. Ele também compartilhou mensagens críticas à operação e a ministros do STF.