O governo tenta deixar para Arthur Lira (PP-AL), o relator Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e o seu líder na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE) o trabalho de desfazer resistências e conseguir os votos necessários para fazer avançar não só a reforma tributária, mas também o Carf e o arcabouço fiscal – único dos três projetos com certeza de aprovação.

Há um motivo. Teme que, ao se envolver mais diretamente, o preço per capita do voto fique ainda mais inflacionado. Mas não só. Lula tem dito que a reforma é mais um projeto da sociedade e do Congresso, segundo ele seus protagonistas, e menos do governo. É pura estratégia: além do sobrepreço, tem o peso de uma eventual derrota.

Cola e não cola. Nestes dois dias, a articulação política do Planalto tem ouvido que, se quiser aprovar a reforma e o Carf, o governo precisa liberar mais dinheiro de emendas. Um dos principais desejos dos parlamentares são os três bilhões de reais recebidos pelo Ministério da Saúde com o fim do orçamento secreto. Como os recursos não são obrigatórios, o governo segura.

Segundo disse ao Bastidor um dos parlamentares insatisfeitos, vai aumentar a pressão. E se desenha o transbordo para a volta do recesso parlamentar. O Bastidor informou que parlamentares iniciaram os trabalhos para tornar obrigatórias emendas de comissão, devolvendo o poder do orçamento ao Congresso.