Aliados de Lula e integrantes do PT estão levantando as emendas pagas ao então deputado Jair Bolsonaro quando o ex-presidente e Dilma Rousseff estavam no poder. O objetivo é ter munição para expor, se conveniente, o que chamam de hipocrisia do discurso anticorrupção do presidente. 

Nas administrações de Lula e Dilma, Bolsonaro conseguiu liberar emendas de seu interesse por meio de aliados, de acordo com operadores políticos que participavam dos pagamentos. 

Quando estava no PTB, Bolsonaro recorria ao líder Jovair Arantes. Este se encarregava de ligar aos ministérios e assumir a paternidade das emendas associadas a Bolsonaro. Dava certo. 

Ao ingressar no PP, Bolsonaro passou a contar com os favores de Francisco Dornelles. O chefe do partido procurava os ministérios e afirmava aos seus interlocutores, com algumas variações: “Onde está escrito ‘Bolsonaro’, é ‘Francisco Dornelles’, ok?”. Também funcionava. 

Petistas com experiência em Brasília afirmam em tom de pilhéria, mas nem tanto, que Bolsonaro é ingrato: os mandatos dele foram financiados pelo partido agora detestado pelo presidente.