Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta quinta-feira (22) mais 16 nomes para compor o grupo de ministros no novo governo. Até agora, já há 21 ministérios definidos, com nomes confirmados, mas ainda faltam compor outras 16 pastas. Além deles, o presidente eleito também escolheu Aloisio Mercadante para comandar o BNDES.

O Bastidor mostrou que o novo governo tem dificuldades para encaixar na Esplanada alguns nomes que ajudaram diretamente na eleição de Lula. As duas principais apoiadoras de última hora, Marina Silva e Simone Tebet, ainda não sabem se vão conseguir algum ministério para cuidar.

Também estão sem cargo ou posição definida apoiadores de primeira hora, como o senador eleito Renan Filho, ex-governador de Alagoas e membros do PV, que integrou a coligação de Lula nas últimas eleições.

Veja abaixo um breve perfil de cada um dos escolhidos até agora:

  • Casa Civil: Rui Costa – É o atual governador da Bahia, cargo que ocupa há quase oito anos. Não participou das eleições deste ano para se dedicar a ajudar Lula entre os eleitores do Nordeste. Já foi deputado federal pelo mesmo estado, mas nunca ocupou nenhum posto no primeiro escalão do governo. Terá o desafio de coordenar boa parte do funcionamento político da gestão de Lula.
  • Economia: Fernando Haddad – Formado em direito, tem mestrado em economia e doutorado em filosofia. Foi prefeito de São Paulo, de 2013 a 2017 e ministro da Educação, de 2006 a 2012, nos mandatos de Lula e Dilma Rousseff. Ajudou a implementar políticas nacionais como o ProUni e do Fies. Embora seja reconhecidamente um intelectual, a pouca familiaridade com a pasta tem colocado dúvidas quanto à gestão que exercerá.
  • Defesa: José Múcio Monteiro – Foi ministro de Lula durante a primeira passagem do petista na Presidência. Saiu para assumir o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, até o início deste ano.
  • Relações Exteriores: Mauro Vieira – Diplomata de carreira, com formação no Instituto Rio Branco, ocupou a mesma pasta de janeiro de 2015 a maio de 2016, durante a gestão de Dilma Rousseff. Antes de ser indicado para o posto, estava atuando como embaixador do Brasil na Croácia.
  • Justiça e Segurança Pública: Flávio Dino – Foi juiz federal por 12 anos, quando deixou o cargo para se candidatar a deputado federal, em 2006. Durante o governo de Dilma Rousseff, ocupou a presidência da Embratur. Foi governador do Maranhão de 2014 ao início deste ano, quando renunciou para se candidatar a senador, sendo eleito em outubro. Este será o primeiro ministério que irá comandar.
  • Relações Institucionais: Alexandre Padilha – Atualmente é deputado federal pelo PT. Foi ministro na mesma pasta durante o primeiro governo de Lula. Médico, assumiu o Ministério da Saúde no governo de Dilma Rousseff.
  • Secretaria-Geral: Márcio Macêdo – Está no segundo mandato de deputado federal por Sergipe. Foi eleito pela primeira vez em 2010, ficando até 2014. Em 2020, voltou à Câmara, depois da cassação do deputado Valdevan Noventa (PL). É a primeira vez que vai assumir um cargo alto na administração pública.
  • Advocacia-Geral da União: Jorge Messias – É procurador da Fazenda Nacional, cargo que faz parte da AGU. Atuou no comitê de transição de Lula. Ganhou notoriedade nacional durante uma gravação realizada durante a Operação Lava Jato, em que a então presidente Dilma Rousseff pedia para que ele agilizasse a assinatura do termo de posse de Lula como ministro, meses antes da cassação dela. A baixa qualidade do áudio fez com que o nome dele soasse como “Bessias”.
  • Ministério da Saúde: Nisia Trindade – É a atual presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Apesar de não ter formação em medicina, foi a primeira mulher a assumir o posto na instituição, em 2017, por nomeação do ex-presidente Michel Temer.
  • Ministério da Educação: Camilo Santana – Ex-governador do Ceará, manteve-se no cargo até abril deste ano, quando renunciou para se candidatar a senador, cargo para o qual foi eleito. Assumirá um cargo na Esplanada pela primeira vez.
  • Ministério da Gestão: Esther Dweck – É professora adjunta do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Vai assumir funções que serão desmembradas do Ministério da Economia, atualmente comandado por Paulo Guedes. É a primeira vez que assumirá um cargo político.
  • Ministério dos Portos e Aeroportos: Márcio França – Foi governador de São Paulo no fim de 2018, quando Geraldo Alckmin deixou o governo para disputar a Presidência da República. Neste ano, chegou a ser cotado como candidato a governador, mas disputou uma cadeira ao Senado, por São Paulo. Acabou perdendo.
  • Ministério da Ciência e Tecnologia: Luciana Santos – É vice-governadora de Pernambuco e presidente nacional do PCdoB. Já foi prefeita, deputada estadual e deputada federal. Será o primeiro cargo que irá ocupar na Esplanada.
  • Ministério da Mulher: Cida Gonçalves – Já foi secretária nacional de políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres, nos governos de Lula e Dilma. Apesar da proximidade com ambos os presidentes petistas, nunca ocupou ministérios nas gestões anteriores do partido.
  • Ministério do Desenvolvimento Social: Wellington Dias – É um dos membros mais antigos do Partido dos Trabalhadores. Ocupou diversos cargos no Legislativo, até ser eleito governador do Piauí, em 2014. Ficou no posto até o início deste ano, para concorrer ao Senado pelo mesmo estado. Apesar de ter sido eleito, vai começar o ano na Esplanada, em uma das principais pastas.
  • Ministério da Cultura: Margareth Menezes – Atriz, cantora e compositora, nunca se envolveu diretamente na política, embora tenha declarado apoio a petistas no passado. A nomeação lembra quando Lula escolheu Gilberto Gil, em 2002, para ocupar a mesma pasta. É altamente conceituada no meio artístico. Já foi indicada aos prêmios Grammy Awards e Grammy Latino.
  • Ministério do Trabalho: Luiz Marinho – Ocupou a mesma pasta na primeira passagem de Lula, atuando no cargo de julho de 2005 a março de 2017. Depois, assumiu o Ministério da Previdência, até junho de 2008. Teve início na carreira política no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, mesma agremiação de onde surgiu Lula. Também foi deputado federal e prefeito de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.
  • Ministério da Igualdade Racial: Anielle Franco – É jornalista e professora universitária. Atuava diretamente na vida política da irmã, a vereadora Marielle Franco, morta a tiros em 2018, durante um atentado, no Rio de Janeiro. Desde então, criou um instituto em memória da irmã, onde defende a questão dos direitos humanos e da igualdade racial e de gênero.
  • Ministério dos Direitos Humanos: Silvio Almeida – É advogado, filósofo e professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo. É um dos principais especialistas do Brasil em questões de diferenças étnico-raciais.
  • Ministério da Indústria e Comércio: Geraldo Alckmin – Médico de formação, é um dos políticos mais experientes do Brasil, vai acumular a pasta com as funções da vice-presidência. Chega à Esplanada pela primeira vez, apesar de já ter sido governador de São Paulo por quatro mandatos, deputado federal, prefeito e senador. Em 2021, mudou de partido e filiou-se ao PSB, onde concorreu ao lado de Lula.
  • Controladoria-Geral da União: Vinícius Carvalho – É advogado, sócio do escritório VCMA, de São Paulo. Foi membro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que chegou a presidir a partir de 2012. Também ocupou Secretaria de Direito Econômico, vinculada ao Ministério da Justiça, durante a gestão de José Eduardo Cardozo.