Faltam menos de 48 horas para que Luiz Inácio Lula da Silva volte a subir a rampa do Planalto, pela terceira vez, como presidente do Brasil. Muitos não gostam, nem querem ler tais palavras. Mas essa é a realidade. Não há sinais de golpe no ar. Nunca houve.
Na última live do ano na condição de presidente, Jair Bolsonaro insistiu, em meio às poucas lágrimas que insistiram em cair, que não se pode partir para o tudo ou nada. Na visão do futuro ex-presidente, é preciso reagrupar forças e lutar para que as causas que ele e os apoiadores defendem se mantenham vivas pelos próximos quatro anos.
É assim que funciona em uma democracia. Uns perdem, outros ganham. Não há interpretações no meio dessa dicotomia simples. Não é futebol, onde existe empate. O fato de muitos apoiadores de Bolsonaro usarem a camisa da seleção não muda isso.
Minutos depois de Bolsonaro encerrar a live, como o Bastidor mostrou, as redes sociais inundaram de comentários criticando a postura do presidente. Os adjetivos publicáveis se resumiam a “covarde”, “frouxo” e “decepção”. Quem acompanhou o Twitter leu coisas piores.
Depois disso, veio uma onda de irresignação. Malucos e oportunistas– pois já não há outro termo para descrevê-los– começaram a buscar sinais no vídeo que poderiam indicar uma outra estratégia do capitão.
Em São Paulo, em frente ao Comando Militar do Sudeste, bolsonaristas chegaram a comemorar que os militares desceram a bandeira nacional a meio-mastro. Para eles, era um sinal de que os soldados estariam prontos para se oferecer em luta pelos ideais golpistas.
Errado. Antes de embarcar para os Estados Unidos, onde passará o ano novo, Bolsonaro decretou luto oficial de três dias pela morte de Pelé. Com isso, todas as instituições públicas são obrigadas a hastear a bandeira a meio-mastro também.
Outro momento de euforia foi no anúncio de que o vice-presidente, Hamilton Mourão, convocou rede nacional de rádio e TV para as 20h deste sábado (31). Com a ida de Bolsonaro aos Estados Unidos, o vice assume interinamente a cadeira, até a troca de governo, no domingo.
Há até quem não acredite na ida de Bolsonaro com a família para os Estados Undos, embora seja possível acompanhar, em tempo real, o trajeto do Airbus A319 da Força Aérea Brasileira, mostrando a rota da aeronave.
Para esses conspiracionistas, é preciso lembrar que Bolsonaro não é o único que tem acesso às informações do governo. O futuro presidente, mesmo que tivesse perdido as eleições, mantém consigo uma equipe paga pelos contribuintes, cujo trabalho é lhe garantir informações internas.
Sendo assim, se houvesse qualquer risco de golpe ou de grave ameaça à segurança de Lula, certamente ele e a equipe já saberiam. É ingenuidade – ou burrice – pensar que 100% dos militares de alta patente são cegamente fiéis a Bolsonaro ou à extrema-direita. Em Brasília, na era digital, informações vazam por todos os lados.
A gestão de Bolsonaro acabou com a live. Teremos pouco mais de 24 horas de Mourão como presidente em exercício. E, no domingo, Lula tomará posse como presidente da República.

