João Doria é só mágoa com o deputado Aécio Neves e o senador Tasso Jereissati, a quem atribui as articulações e “conspirações” para que desista da disputa a presidente da República.
O estatuto do PSDB garante a legenda ao vencedor das prévias. Mas, para Doria, Neves e Jereissati não souberam perder. Ambos apoiaram Eduardo Leite –e ainda insistem em seu nome ou em alternativas fora do partido.
Os dois frequentam jantares e convidam gente do partido e de fora do PSDB para reuniões a fim de, nas palavras de Doria, conspirar contra a sua candidatura. Criam dificuldades às conversas dele para a construção de alianças.
Recentemente, integrantes da bancada paulista do partido foram a Rodrigo Garcia, vice-governador de São Paulo e pré-candidato ao Palácio Bandeirantes. Sabiam que o que tratassem com ele chegaria aos ouvidos do governador de São Paulo.
Expuseram um cenário catastrófico, em que Doria renuncia o governo paulista para disputar a presidência e se enfraquece ainda mais eleitoralmente –ele tem a maior rejeição entre os pré-candidatos.
Acham que, fora do cargo e sem reverter sua impopularidade, vai acabar prejudicando o partido, que está há 20 anos à frente do estado, e a formação de uma bancada forte.
O PSDB paulista tem apenas nove deputados estaduais e oito deputados federais.
Doria diz que não desistirá por pressão interna e sempre lembra que, apesar das pressões e de ter partido desacreditado nas disputas para a prefeitura de São Paulo, em 2016, e para o governador, em 2018, saiu eleito.
Para parte de seus aliados, apesar de ter fechado um pacto com Simone Tebet (MDB) e Sergio Moro (Podemos) para que haja apenas um candidato a Presidência da República na disputa com Lula e Jair Bolsonaro, Doria dificilmente abrirá mão da disputa, contando com o apoio dos demais.

