Não é a primeira que Lula chamou Michel Temer de golpista direta ou indiretamente. Somente nesta semana, foram duas as ocasiões em que o presidente classificou como golpe o impeachment de Dilma Rousseff.
Mesmo ao longo da campanha no ano passado, enquanto tentava uma aproximação com o MDB, Lula não se furtou de classificar o afastamento da petista em 2016 como golpe. Parece contradição ou descuido de Lula, mas não é. Trata-se de ressentimento.
Lula soube por meio de interlocutores mais falastrões que, enquanto ele tentava se aproximar do grupo paulista do MDB e de Simone Tebet no segundo turno, Temer trabalhou contra a união de sua seção e de seus aliados com o PT.
Mesmo após a vitória, soube o presidente, Temer tentou salgar uma aliança. O ex-presidente, segundo foram dizer a Lula, enviou emissários a Tebet na tentativa de dissuadi-la a aceitar um cargo no governo.
Temer queria que antes de uma aliança partidária Lula o procurasse diretamente e, ainda que em privado, dissesse que sua ascensão à Presidência da República foi legítima. Dizia-se magoado por ainda ser chamado de golpista.
Lula enviou emissários para marcar o encontro. Temer enviou-lhe recados com as condições. E, resultado, os dois nunca conversaram privadamente. Restou a mágoa – mútua.

