De surpresa, o Congresso impôs nesta quarta-feira (25) a pior derrota do governo Lula neste ano. Em sessão remota, convocada no final da noite de ontem, em uma semana que os parlamentares estão em festas de São João pelo país, Câmara e Senado derrubaram em poucas horas o decreto que elevava alíquotas do IOF, responsável por 20 bilhões de reais a mais para fechar as contas deste ano.

Foram 383 votos a 98 na Câmara e uma votação simbólica no Senado. É um revés de grandes proporções para o presidente Lula e para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Além de perder a possibilidade de arrecadação que esperava, o governo foi politicamente humilhado.

O motor do descontentamento do Congresso, que levou à derrubada do decreto, é o atraso do governo no pagamento de emendas parlamentares este ano. Apesar de ter acelerado pagamentos desde o final da semana passada, o governo liberou menos dinheiro do que os parlamentares desejam.

Na semana passada, Motta e Alcolumbre haviam dado um ultimato para o governo pagar as emendas. O tema do IOF seria retomado no início de julho, quando os parlamentares devem voltar a Brasília. Surpreenderam o governo ao mudar de ideia.

Antes da votação do IOF, o Congresso jogou para seus interesses corporativos. Por 41 votos a 33, o Senado aprovou o aumento do número de deputados dos atuais 513 para 531. O projeto já havia passado na Câmara com amplo apoio. A medida é desaprovada por 76% da população, de acordo com pesquisa do Datafolha.