O Planalto recuou da nomeação do ex-capitão do Exército Victor Felismino Carneiro como diretor-geral da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência. Como o Bastidor revelou ontem (terça), a indicação de Carneiro estava travada na Presidência há semanas. 

O Diário Oficial de hoje (quarta) traz a nomeação de Carneiro como diretor-adjunto da Abin. Ele era superintendente da agência no Rio. Fora indicado por Alexandre Ramagem, ex-chefe da Abin e delegado de confiança da família Bolsonaro. Ramagem será candidato no Rio.

É, portanto, uma manobra, não uma desistência. Como diretor-adjunto, Carneiro poderá tocar a Abin sem precisar passar pela exposição de uma sabatina no Congresso – o que aconteceria se ele fosse confirmado como diretor-geral. O Bastidor antecipou que Bolsonaro foi alertado que o nome de Carneiro enfrenta sérios obstáculos (internos e externos). Poderia causar problemas imensos se apreciado no Senado.

O expediente visa a manter o grupo de Ramagem, conhecido como “turma da PF”, no comando da agência, ainda que de modo precário. São pessoas leais à família do presidente, mas estranhos ao corpo da Abin. Oficiais de inteligência estão indignados com a captura do órgão e com a condução dos trabalhos desde que Ramagem assumiu o cargo. 

Os profissionais da agência estão preocupados com a ausência de um diretor-geral – e um diretor-geral qualificado para a função. Dizem que a precariedade decorrente desse arranjo, associada ao tipo de trabalho hoje privilegiado na Abin, põe sob sério risco as atividades de inteligência de Estado e a Segurança Nacional.