O material da operação Tempus Veritatis mostra que o general Augusto Heleno mentiu em seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do 8 de Janeiro. A comprovação está no vídeo de uma reunião do então presidente, Jair Bolsonaro, com a cúpula do governo.
Em 26 de setembro de 2023, Heleno disse aos parlamentares que não havia tratado de assuntos eleitorais com os subordinados quando era ministro do Gabinete de Segurança Institucional. “Jamais me vali de reuniões ou palestras ou conversas para tratar de assuntos eleitorais ou político-partidárias com meus subordinados na GSI”, afirmou.
Não é verdade. O vídeo mostra Heleno dizendo que determinou à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que infiltrasse pessoas nas campanhas eleitorais dos adversários de Bolsonaro.
“Conversei ontem com o Victor [Carneiro], novo diretor da Abin. Nós vamos montar um esquema para acompanhar o que os dois lados estão fazendo. O problema todo disso é se vazar qualquer coisa aí. Muita gente se conhece nesse meio. E se houver qualquer acusação e infiltração desses elementos da Abin em qualquer dos lados…”, afirmou Heleno, quando foi interrompido por Bolsonaro.
Heleno é apontado pela Polícia Federal como integrante de um grupo responsável pela inteligência relacionada à tentativa de golpe depois das eleições de 2022. Segundo as investigações, esse núcleo contava ainda com o coronel Marcelo Costa Câmara e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid.
De acordo com as investigações, eles forneciam informações privilegiadas a Bolsonaro e ajudavam o ex-presidente a tomar ações para a consumação do golpe. O coronel Costa Câmara monitorou clandestinamente o ministro Alexandre de Moraes durante 15 dias em dezembro de 2022. O plano era prender Moraes após o golpe.

