Sem constar na agenda oficial, o presidente Lula concedeu entrevista coletiva no Palácio do Planalto numa clara tentativa de tomar as rédeas das ações do governo em meio à queda de popularidade. Foi um dos primeiros sinais de mudança na comunicação desde que Sidonio Palmeira assumiu a Secom.
Lula tratou de reforma ministerial, medidas fiscais, taxa de juros, eleição para presidentes da Câmara e Senado, planos para 2026, reajuste do diesel e aumento de preço dos alimentos. Falou por quase uma hora e meia, mas foi evasivo na maior parte das respostas.
Não cravou as mudanças que ocorrerão em seu ministério nos próximos meses. Negou que houve convite para a deputada Gleisi Hoffmann assumir uma pasta. Disse que a eleição no Congresso cabe aos partidos, deputados e senadores. Eximiu-se da responsabilidade do aumento no valor do diesel ao afirmar que a decisão é da Petrobras.
Lula, contudo, reconheceu que o governo não entregou tudo o que prometeu durante campanha. Também apontou para algumas possibilidades que levaram o preço da carne, em especial a picanha, ter subido tanto.
De respostas efetivas, admitiu que o governo não tem nos planos sugerir nenhuma nova medida fiscal. Confirmou ainda, sem dar detalhe, que vai enviar ao Congresso a proposta que prevê isenção de Imposto de Renda a quem ganha até 5 mil reais.
De resto, prometeu a jornalistas mais entrevistas como a que ocorreu hoje. Não é a primeira vez que o presidente, ciente dos problemas de comunicação do governo, garante que haverá maior proximidade com os profissionais que cobrem o Palácio do Planalto. Não foi o que ocorreu até hoje.
Se o cenário mudar, será uma vitória de Sidonio. Até agora, Lula vinha sendo blindado pela primeira-dama Janja. Paravam nela as solicitações de entrevistas e as tentativas de contato que ministros, parlamentares e figurões do PT buscavam com o presidente.

