O conceito de “normal” no Brasil é bastante particular, mas este início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva está fora até dos elásticos padrões locais. Sua posse transcorre em clima de apreensão, de medo de ataques e violências. Quando um presidente é aconselhado a não fazer o tradicional desfile no Rolls Royce aberto pela Esplanada, e isso parece razoável, algo está muito errado. Esta insegurança não acaba hoje, depois da festa.

Após décadas, atos de terrorismo político voltam a ser uma realidade no Brasil. A Polícia Federal prendeu bolsonaristas acusados dos ataques de 12 de dezembro em Brasília e da tentativa de explosão de um caminhão perto do aeroporto. A descoberta de que pessoas em comum se envolveram nos dois atos mostra que esses radicais conseguiram se organizar, têm dinheiro, têm armas compradas legalmente e nenhum respeito pela democracia.

Lula será o primeiro presidente em um governo democrático a lidar com algo do tipo. Os atos de terrorismo de esquerda e de direita praticados nas décadas de 1960, 70 e 80 ocorreram durante a ditadura militar. Nunca se lidou com isso sob as regras do estado democrático de direito. Só polícia não vai resolver. O governo Lula terá de atuar com um misto de cuidado e firmeza nas Forças Armadas, na política e na Justiça.