A despeito das declarações do presidente francês, Emmanuel Macron, e da nova posição argentina, de serem contra o acordo de livre comércio entre os países do Mercosul e os da União Europeia, a ordem de Lula é que a diplomacia brasileira continue a tentar. O presidente que superar a fase em que os governos são os principais agentes de negociação.

Passada a fase, porém, a tarefa ficará com os parlamentos, seja o europeu seja os de cada país envolvido no acordo, sejam os integrantes da União Europeia seja os do Mercosul.

O governo brasileiro recebeu a informação de que o futuro governo argentino, que tomará posse no dia 10, tem interesse no acordo. Quem perdeu interesse é o governo atual, que está de saída. Durante a campanha eleitoral na Argentina, as declarações eram contrárias.

Diante da boa vontade do futuro governo de Javier Milei, da Alemanha, Espanha e Portugal, a expectativa é que o trabalho supere os problemas mais urgentes e permita a assinatura ainda em janeiro.

Depois disso, dependerá da aprovação do parlamento europeu e, em alguns pontos, da aprovação da autorização dos parlamentos dos integrantes da comunidade europeia. A França poderá rejeitar. Ainda assim, dizem fontes do Itamaraty, não há veto à decisão do parlamento europeu, que é quem decidirá o grosso do acordo.

No caso do Mercosul, será necessária a autorização de todos os congressos dos integrantes do bloco.

De todo modo, o maior pessimisto é em relação ao tempo, porque em junho haverá eleição no parlamento europeu e a previsão é de crescimento da extrema-direita, que é ideologicamente contra o acordo de livre comércio, por ter uma visão mais protecionista e menos “europeísta”.