Centenas de pessoas ainda estavam destruindo as sedes dos Três Poderes em Brasília, quando dois vídeos que circularam no dia 8 de janeiro ajudaram a disseminar a versão de que pessoas infiltradas teriam sido as responsáveis pela depredação nos prédios públicos. As imagens correram grupos bolsonaristas, lotados principalmente de pessoas que sequer estiveram em Brasília no dia.
O primeiro vídeo foi gravado em uma das laterais do Congresso. Nele é possível ver um homem correndo pelo lado de fora do prédio, empunhando uma bandeira vermelha.
Já o segundo mostra um homem que foi detido pela Força Nacional. O autor do vídeo narra a cena. “Estamos aqui na Esplanada. Pegamos um cidadão que estava infiltrado no meio dos bolsonaristas para poder causar o terror e dizer que foi o pessoal”, afirma o autor.
O rapaz detido está sentado no chão, com as mãos para trás. Na sua frente há uma mochila aberta e vários itens pelo chão, como dois estilingues, supostos coquetéis molotov e gasolina.
Enquanto o autor narra essa cena, é possível ouvir um dos policiais perguntar ao rapaz rendido se ele era da direita. “Não, não, eu não sou da direita”, diz o suspeito.
O Bastidor entrou em contato com o Ministério da Justiça, com a Polícia Federal e com o Procuradoria Geral da República para saber se o suspeito detido com a Força Nacional foi identificado. A Polícia Federal e a PGR informaram em nota que não vão comentar o caso, pois as investigações ainda estão em andamento e são sigilosas.
As cenas bastaram para convencer radicais da fantasia de que a barbárie no Congresso, no Supremo Tribunal Federal e no Palácio do Planalto foi obra de infiltrados, não dos mais de 1.000 bolsonaristas presos por arrebentar tudo.
Do outro lado, dezenas de outros vídeos dão a certeza de que a maioria dos vândalos era, de fato, do grupo de extremistas bolsonaristas.

