A possível candidatura de Hugo Motta à presidência da Câmara, como noticiou o Bastidor em março, nunca foi descartada por aliados de Arthur Lira. Motta não é vetado pelo presidente Lula, como Elmar Nascimento, e nem pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, caso de Marcos Pereira.

Lira, contudo, tenta desde o início emplacar Elmar, um dos seus homens de maior confiança na Câmara. Diante da dificuldade de consenso, membros do governo e da oposição passaram a articular por Motta.

Quem deu o aval por parte do Palácio do Planalto foi o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Os movimentos, no entanto, começaram pelo senador Ciro Nogueira, que contou com a colaboração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A parceria entre os dois alçou Motta à condição de novo favorito.

Além de Tarcísio, que é do Republicanos de Motta e Pereira, Ciro Nogueira buscou o PL. Ouviu o que Lira já sabia ao menos desde março: Bolsonaro não se oporia. Rui Costa disse o mesmo sobre Lula.

Em fevereiro, o Bastidor antecipou que Lula já havia deixado claro que preferia Marcos Pereira. Sinalizou que o deputado poderia iniciar a campanha para se viabilizar. Pereira foi a campo, mas a candidatura não emplacou.

Sua última cartada ocorreu na terça-feira (3), quando pediu ao presidente que convencesse Gilberto Kassab, presidente do PSD, a retirar a candidatura de Antônio Brito. Não deu certo. Kassab se negou e disse a Lula que uma eventual desistência de Britto, se ocorresse, seria em nome de um candidato consenso. Hugo Motta foi citado.