O governo Lula já definiu Marcos Pereira (Republicanos) como o candidato mais viável para substituir Arthur Lira (PP) na presidência da Câmara dos Deputados. O parlamentar ligado à Igreja Universal tem o aval de Lula para iniciar a campanha com o apoio ainda tímido do PT, em especial do grupo liderado por Gleisi Hoffmann.

A gestão petista trabalhará para enfraquecer o favorito de Lira, Elmar Nascimento (União Brasil), que já está em campanha aberta para assumir o comando da Câmara. Além de Pereira, o governo tem simpatia por Antônio Brito (PSD) que, para ter o apoio do Palácio do Planalto, precisa antes se viabilizar.

Os movimentos, somados à saída do PSB do blocão liderado por PP e União Brasil na Câmara, resultaram no duro discurso de Lira, cheio de ameaças, direcionado à articulação política de Lula. O deputado cobra desde o ano passado uma posição do governo sobre a eleição para Presidência da Câmara. Nunca recebeu uma resposta.

O que Lira sabe é que Nascimento tem adversários no PT capazes de convencer Lula de que o deputado não é um bom aliado. A ala baiana petista no governo foi quem impediu o líder do União Brasil de assumir um ministério. Diante da resistência, Nascimento passou a dar, desde o fim do ano passado, sinais de proximidade com velhos algozes e sugerir que o seu partido pode fazer parte da chapa de Lula em 2026.

O deputado, no entanto, é tratado como inconfiável pelo Palácio do Planalto. No PT, quem lida diretamente com Nascimento é José Guimarães, que também tem uma boa relação com Lira. Foi dado ao líder petista a missão de manter a boa convivência entre governo e o grupo do presidente da Câmara caso os preferidos de Lula não se viabilizem na disputa pelo comando da Câmara.