A desistência de Danilo Forte de fazer modificações no texto da PEC Kamikaze como veio do Senado teve dedo de Arthur Lira. O presidente da Câmara deu uma dura em Fortes e enterrou suas pretensões de incluir mais benefícios.
A prioridade de Lira e do governo é aprovar a PEC o mais rápido possível. Eles correm contra o tempo: a 90 dias da eleição, contam com os benefícios da PEC para tentar salvar a candidatura de Bolsonaro.
Danilo Forte falou em incluir na PEC um benefício para motoristas de aplicativo. Se o texto fosse modificado, a PEC teria de ser votada de novo no Senado, o que atrasaria tudo e colocaria em risco a operação eleitoral.
Aliado de Jair Bolsonaro, Arthur Lira acabou ameaçou tirar a relatoria de Forte quando a proposta chegasse ao plenário – chegou a nomear seu substituto, que seria o deputado Christino Aureo, do PP do Rio de Janeiro.
De acordo com fontes que presenciaram a bronca, na terça-feira, além de determinar celeridade ao processo, Lira disse que qualquer modificação no texto seria derrubada no plenário. Mas não só.
Ameaçou ainda transformar Fortes “num Aguinaldo Ribeiro”, relator da reforma tributária engavetada pelo presidente da Câmara assim que assumiu o mandato. Foi uma vingança por Ribeiro ter apoiado seu adversário na disputa pelo comando da Câmara.
Aguinaldo Ribeiro nunca mais relatou qualquer um projeto na casa – o que dá visibilidade ao parlamentar – ou ganhou preferência na liberação de emendas.
Após essa pressão de Lira, Danilo Forte o relator manteve o texto aprovado no Senado, que prevê custo de 41 bilhões de reais fora do teto de gastos.

