As campanhas de Ricardo Nunes e Guilherme Boulos demonstram reservadamente preocupação com o comportamento de Pablo Marçal nessa reta final do primeiro turno.

Há uma volatilidade dos eleitores de Marçal, detectada nas pesquisas internas das duas campanhas, provocada por movimentos imprevisíveis e rompantes do candidato, segundo fontes das campanhas.

Marçal estava em viés de queda após o ato de 7 de setembro na avenida Paulista, que o contrapôs ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a lideranças evangélicas. A encenação feita em uma ambulância após a agressão de José Luiz Datena também pesou contra o candidato.

Marçal, contudo, ganhou dois pontos nas pesquisas internas após um dos seus assessores agredir o marqueteiro de Nunes, Duda Lima, durante o debate organizado pelo Flow na semana passada.

A avaliação é que Marçal já deveria ter caído para 12% ou 13% das intenções de voto. Não foi o que ocorreu. Pesquisa Atlas divulgada nesta segunda-feira (30) mostra Marçal com 25,4% das intenções de voto. Atrás de Boulos, que tem 29,4% e à frente de Nunes, que aparece com 22,9%.

Diante do estilo de campanha que Marçal toca, Nunes e Boulos esperam algum movimento mais agressivo do candidato até quinta-feira, quando acontece o debate da TV Globo. Também será o último dia de propaganda eleitoral gratuita antes do primeiro turno. Ou seja, serão 48 horas até a eleição sem a possibilidade de rebater qualquer acusação ou movimento do adversário na televisão. A aposta é que Marçal aprontará alguma até lá.

As oscilações nas intenções de voto entre os candidatos e os erros primários dos principais institutos de pesquisa em 2022 recomendam cautela quanto a projeções para o resultado do primeiro turno em São Paulo.