A bancada evangélica no Congresso retomou a pressão para que o governo cumpra a promessa de transferir a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Recentemente, o líder da turma no Congresso, Sóstenes Cavalcante, refez o pedido. A quatro meses da eleição e com o presidente Jair Bolsonaro em posição desfavorável nas pesquisas eleitorais, a hora não poderia ser mais favorável aos deputados.
Líderes evangélicos estão entre os defensores de Bolsonaro. O eleitorado protestante é dos poucos segmentos em que o presidente fica à frente, com 39% das intenções de voto no último Datafolha, contra 36% de Lula. Se quiser ter chances em outubro, Bolsonaro precisa manter os evangélicos a seu lado.
A transferência da embaixada, uma das primeiras polêmicas inúteis criadas pelo presidente, é uma questão de fé dos evangélicos. Mas Jerusalém é uma cidade considerada sagrada por cristãos e muçulmanos, por isso não são poucos os conflitos religiosos pela ocupação de sua área.
Em 2019, a promessa feita por Bolsonaro para agradar os evangélicos – e imitar o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que fez a mesma promessa – gerou tantos problemas quando veio a público, que foi esquecida. O que Bolsonaro conseguiu foi a abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém.
Se levada a cabo agora, a mudança para Jerusalém traria vários problemas práticos. Seria reprovada pela comunidade internacional, que não apoia a iniciativa do governo israelense de fortalecer sua presença na cidade. Traria problemas também para as relações com países árabes, grandes importadores de carne brasileira.
Os evangélicos retomaram o assunto agora por desconfiar das promessas presidenciais. Procurado pelo Bastidor, Cavalcante nega que haja pressão. “Mas, como parlamentar, cobrei isso da tribuna [da Câmara]”, diz. “E vou continuar cobrando.

