Jair Bolsonaro chorou. No provável último pronunciamento ao país, antes de deixar o cargo, às 23h59 deste domingo (31), o presidente tentou conter as lágrimas ao fazer um balanço dos quatro anos de gestão. Também garantiu, sem dizer literalmente, que não haverá golpe e, se houver, não terá a participação dele.
Bolsonaro falou nesta manhã, numa transmissão pelas redes sociais. O discurso de quase uma hora foi um balde de água fria para aqueles que esperavam uma convocação, mobilização, algo mais incisivo. Para aqueles que passaram os últimos dois meses nas portas dos quartéis contestando o resultado da eleição, o banho foi mais intenso do que as chuvas dos últimos dias.
Bolsonaro lançou mensagens indiretas o tempo todo. Entre elas, disse que o processo eleitoral não foi imparcial e que isso teria motivado milhares de pessoas a comparecerem aos atos golpistas. Reclamou da multa imposta ao PL pelo ministro Alexandre de Moraes, depois da desastrada tentativa do partido de contestar o resultado das urnas.
Também afirmou que tentou de todas as formas possíveis evitar que Lula pudesse assumir – segundo ele, sempre dentro do que a legislação prevê.
O presidente agradeceu aos manifestantes, mas condenou situações de violência, como a tentativa de invasão à sede da Polícia Federal em Brasília, que terminou em vandalismo no dia 12.
“Não vamos achar que o mundo vai acabar no dia 1º de janeiro, não vamos para o tudo ou nada, porque nós somos diferentes deles. Se fôssemos iguais a eles, a liberdade já teria acabado há muito tempo”, afirmou, em uma tentativa de mobilizar os apoiadores a fazerem oposição ao futuro governo.
Assista abaixo à íntegra do pronunciamento de Bolsonaro:

