Este ano eleitoral começou com uma novidade no espectro regional. É a primeira vez, em 20 anos, que um petista lidera alguma pesquisa de intenção de votos para o governo de São Paulo. O nome é o pré-candidato da legenda, Fernando Haddad. Mas, para chegar ao Palácio dos Bandeirantes, será preciso driblar uma série de fatores.

No cenário mais recente, Haddad lidera a consulta sob uma condição: o ex-tucano Geraldo Alckmin precisa ficar fora da disputa. Pode acontecer. É possível que o ex-governador seja candidato a vice na chapa de Lula.

O Bastidor analisou todas as pesquisas de intenção de votos divulgadas pelo Datafolha no começo dos anos eleitorais, desde 2002. Nesse período, o partido só chegou ao segundo turno no governo paulista em 2002, quando Lula foi eleito presidente. Mesmo assim, o governo estadual ficou nas mãos de Geraldo Alckmin. Nas demais eleições, tudo foi decidido no primeiro turno – ou candidatos de outros partidos levaram a disputa ao segundo turno.

Neste ano, o instituto ainda não realizou nenhuma pesquisa. Por isso, foram considerados os resultados obtidos em dezembro de 2021.

Mas a possibilidade de o PT chegar ao Palácio dos Bandeirantes esbarra em dois problemas maiores do que Alckmin: o antipetismo do interior paulista e o desejo de Márcio França de entrar na disputa.

A aversão ao petismo garantiu a permanência do PSDB no governo estadual nos últimos 27 anos, mesmo quando a Grande São Paulo possuía prefeitos de esquerda. Já Márcio França tem o apoio direto de Alckmin, que afirmou a Lula o apoio ao ex-vice-governador.

O pessebista também é um nome que fica bastante ao centro no espectro político. Apesar da proximidade com tucanos, não é visto como um nome tão à direita a ponto de incomodar petistas, tampouco é esquerdista demais para espantar o eleitorado do PSDB.

O Bastidor revelou que uma ala do PSB paulista considera a migração de França para uma candidatura ao Senado em troca de apoio ao partido em outros estados. O ex-vice pediu que o partido realizasse uma pesquisa de intenção de votos para avaliar as chances de vencer no segundo turno. Fontes da legenda dizem que Haddad ganharia em todas as simulações.

E o PSDB?

O pré-candidato do PSDB ao governo de São Paulo é o atual vice-governador, Rodrigo Garcia. O levantamento mais recente colocou o nome dele pela primeira vez nas pesquisas. Por enquanto, perderia não só para Alckmin no primeiro turno, caso o ex-governador disputasse a eleição local, mas também para Haddad, França e até Guilherme Boulos.

Mas esse número pode mudar nos próximos meses. Como foi a primeira aparição de Garcia no levantamento, não é possível aferir o potencial do vice-governador. Caberá ao partido divulgar mais o nome dele entre os eleitores tucanos para reverter a situação.

João Doria, em vez de tentar a reeleição, quer ser presidente a qualquer custo, só que a situação é complicada. Nas pesquisas realizadas até aqui, o governador paulista obtém resultados pífios. Ficaria atrás de Lula, Bolsonaro, Sergio Moro e Ciro Gomes. Mesmo assim aliados dizem que será difícil demovê-lo da candidatura ao Planalto.