A tropa governista na CPI da Pandemia vai incluir em seu relatório paralelo as falas de governadores sobre cloroquina. É uma estratégia para diluir a responsabilidade do presidente Jair Bolsonaro que faz propaganda do medicamento sem eficácia comprovada contra a covid.

Na sessão da CPI realizada na quinta-feira 20 de maio, o senador Marcos Rogério usou essa tática para tentar reduzir o desgaste de Bolsonaro e repetir a narrativa de culpa dos governadores e prefeitos pelas graves consequências que a pandemia tem causado aos brasileiros.

O que a tropa de choque de Bolsonaro omite, propositalmente, é que os governadores pararam de defender a cloroquina no ano passado quando autoridades sanitárias de vários países, repetidamente, confirmaram que o remédio não serve para covid e, pior, provoca sequelas em muitos pacientes com comorbidades. O presidente continua defendendo a cloroquina e um tratamento precoce que não funciona.  

O senador bolsonarista Marcos Rogério reproduziu na CPI vídeo com os governadores Flávio Dino, do Maranhão, e Renan Filho, de Alagoas, defendendo o uso da cloroquina se tivesse prescrição médica.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, é dos que defendem a estratégia de culpar os governadores. Ele tem aconselhado o presidente a repetir que comprou mais de 200 milhões de doses de vacina e que a população está sendo vacinada, a despeito do que está sendo apurado na CPI da Pandemia.