Na condição de réu com enorme chance de ser condenado e preso, o ex-presidente Jair Bolsonaro não tem outra saída, senão dobrar a aposta e correr mais riscos. Por isso, convocou um novo ato em favor de sua anistia, marcado para o domingo, 6 de abril, em São Paulo. O último evento do tipo, feito no dia 16, na praia de Copacabana, no Rio, foi um fiasco. Mas Bolsonaro não tem o direito de ser cuidadoso.

Poucas horas depois da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira (26), Bolsonaro deu uma entrevista coletiva, na qual anunciou o ato. “Tudo acertado com o (governador de São Paulo) Tarcísio (de Freitas). Devemos ter pelo menos 6 governadores. Mais de 50 parlamentares. Vamos continuar nessa luta”. Bolsonaro falou em governadores e parlamentares, mas foi cuidadoso ao não falar sobre o público potencial.

O ato em Copacabana provou que público é um problema para Bolsonaro. Anistia é conversa apenas que interessa apenas a ele e ao PL, não aos brasileiros. Quando perguntados sobre o assunto, os brasileiros reprovam a ideia. Na semana passada, uma pesquisa feita pelo Poder Data mostrou que 49% dos eleitores do próprio Bolsonaro são contra a anistia a Bolsonaro e aos vândalos do 8 de janeiro de 2023.

Nenhum dado aconselha um novo ato, mas Bolsonaro não sabe operar de outra forma, nem está em condições de escolher. Sua estratégia se resume a manter-se no papel de perseguido político e de candidato a presidente em 2026, por falta de alternativas judiciais que o livrem da acusação de ter tramado um golpe de estado e atuado contra a democracia no Brasil.

Se não segurar a fila dos candidatos da direita, não convocar atos por uma anistia em benefício próprio e não blefar sobre um eventual apoio internacional, Bolsonaro perderá até o apoio que tem na política.