Anunciada com pompa na sexta-feira (12), a liberação dos 4 bilhões de reais em emendas represadas ainda no governo de Jair Bolsonaro será feita, como definiu um integrante da articulação do governo, “com parcimônia”.
Significa que o dinheiro será liberado conforme a base for votando com o governo – e são muitos os projetos de interesse do governo no Congresso.
No Câmara, para citar alguns, há a votação de urgência de alguns pontos destacados do projeto das fake news, parcialmente desmembrado. Ele mesmo pode voltar à agenda. Também há a urgência do novo arcabouço fiscal, cujo relatório deve ser apresentado nesta terça-feira (16).
No Senado, há a derrubada (ou sua tentativa) dos vetos dos decretos de Lula sobre o marco do saneamento. Na Câmara, sem as emendas, o governo foi derrotado.
Mais claro, impossível: votou com o governo, sai o dinheiro; não votou, vai ficar retido enquanto der. O grosso do dinheiro está com os ministérios das Cidades, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional. Ou seja, obras. E obras do interesse de prefeitos.
Segundo avalia um articulador do governo, os parlamentares, que atuam muito fortemente nas eleições municipais, têm todo o interesse que o dinheiro saia, liberando, assim, a retomada de obras paradas em suas cidades.
É fundamental para a eleição deles mesmos ou a de seus aliados em nível local. Nesta semana, haverá votações importantes. A conferir se surtirá efeito.

