O deputado Aécio Neves se tornou o grande personagem na fragmentação do PSDB. Neves puxou a insatisfação pública contra a pré-candidatura de João Doria e, agora, milita contra o presidente do partido, Bruno Araújo, defendendo que a legenda tenha candidatura própria em vez de apoiar o MDB.
De acordo com aliados de Aécio, o movimento do deputado tem por objetivo retomar o controle da legenda – ele presidiu o partido entre 2013 e 2017. O mandato de Araújo se encerra em maio do ano que vem. Expor o mandatário e seu grupo político faz parte dos planos do deputado, garantem fontes próximas a ele.
Internamente, mais do que tentar vencer as eleições presidenciais, Aécio Neves defende que o partido concentre energia e dinheiro em aumentar o tamanho da bancada para poder negociar com o futuro governo. De preferência, o de Jair Bolsonaro.
Ele avalia que os deputados e pré-candidatos a governador ganharam ao manter uma atitude ambígua: ora com o governo, ora dizendo-se contra. Em ao menos três estados (Mato Grosso do Sul, Paraíba e Pernambuco), os pré-candidatos ao governo estadual são próximos de Bolsonaro. Aécio quer ganhar verbalizando o interesse desse segmento no partido.
E não é pouco. De uma bancada de 22 deputados, 19 tucanos admitiram ao Supremo Tribunal Federal que receberam dinheiro do orçamento secreto, as RP9. Aécio Neves não respondeu ao STF. Alexandre Frota e Joice Hasselmann, rompidos com o bolsonarismo, negaram ter recebido verba.
É com isso que a equipe de João Doria tenta trabalhar para se manter como pré-candidato a presidente da República, a despeito de Araújo e seus pares no MDB e no Cidadania terem definido Simone Tebet (MDB) como a candidata da terceira via.
O ex-governo de São Paulo tenta, antes de se reunir com Bruno Araújo na próxima semana, negociar com o grupo de Aécio Neves na esperança de se manter na disputa.

