Integrantes da base do governo Lula no Congresso e representantes da oposição têm reclamado, por diferentes motivos, de uma certa “apatia” do Planalto na relação com o Congresso.

Na prática, sentem falta do envio de projetos para inflamar a discussão entre aliados e adversários do governo federal.

Deputados da base aliada reclamam que são escanteados das discussões e citam como exemplo o novo arcabouço fiscal. Na ausência do texto, que deve chegar à Câmara na próxima semana, não conseguem fazer uma defesa robusta no plenário.

O Bastidor noticiou aqui o tratamento que o PT e o governo têm dispensado a aliados, que ficam longe do centro das decisões.

Parlamentares da base, como o PDT e o PSB, que passaram a integrar o superbloco da Câmara, não escondem o incômodo com a postura do governo. Dizem que as decisões do Planalto chegam aos líderes sem uma consulta prévia e temem que aconteça o mesmo com o texto final da reforma tributária.

Nem o impasse entre os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, sobre o rito de tramitação das medidas provisórias é suficiente para explicar a demora do governo. “Além das MPs, o que mais o governo entregou?”, diz um deputado do PDT. O governo agora vê o risco de ter os decretos de Lula sobre saneamento anulados.

Por outro lado, a oposição também reclama pois vê o espaço para a sua atuação limitado já que o governo “pouco entregou”, segundo um deputado do PL. Ele diz aguardar o texto do arcabouço e da reforma tributária para se opor. Por enquanto, vai se dedicar a derrubar os decretos sobre o Marco do Saneamento.