A tragédia provocada pelas fortes chuvas no litoral Norte de São Paulo torna inevitável comparar o comportamento de Lula e Bolsonaro diante dos problemas e dores dos cidadãos. A diferença é que a Presidência da República volta a cumprir suas obrigações normalmente.
Lula esteve nesta segunda em São Sebastião, cidade mais atingida por um volume absurdo de água que matou até agora 36 pessoas. Antes disso, conversou com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que foi eleito com a ajuda de Bolsonaro.
Em dezembro de 2021, quando uma chuva de grande magnitude atingiu diversas cidades da Bahia e matou mais de 20 pessoas, Bolsonaro descansava em uma praia em Santa Catarina – e por lá ficou. “Espero não ter de retornar antes”, disse na ocasião, em cima de um jet ski. Não falou com o governador da Bahia na ocasião, Rui Costa, do PT – hoje ministro da Casa Civil.
A atitude de Lula é a normal. Presidentes da República têm o dever de se importar com a vida e as dores dos cidadãos. Em todos os países civilizados, eles vão aos locais de grandes tragédias. É simbólica a ida de George W. Bush, um presidente então mal avaliado, ao epicentro do 11 de Setembro, em Nova York, dias depois dos atentados.
A atitude de Bolsonaro em 2021 foi uma ofensa, uma anormalidade que apenas repetiu sua conduta durante a pandemia da covid-19. Um presidente não pode deixar de se solidarizar com os cidadãos, ao contrário do que ele fez.
É claro que o importante é a atitude da máquina do governo, que independe do presidente: liberar recursos para os desabridas e fornecer o que for necessário na emergência. Mas as atitudes dos líderes são simbólicas, demonstram que eles se importam com os outros, por isso merecem respeito. É algo que não está na lei, pois está muito acima dela.
Políticos sabem disso. Bolsonaro foi uma exceção neste aspecto, como em vários outros – inclusive na tentativa de dar um golpe de estado. O comportamento de Lula mostra que as coisas voltaram ao normal em nível institucional.

