O apoio à candidatura de Lula mesmo quando seu partido tinha uma candidata a presidente —a senadora Simone Tebet— vai render benefícios ao ex-deputado Leonardo Picciani, que hoje comanda o MDB do Rio de Janeiro.
Sem mandato, à frente de um partido devastado pela Lava Jato no estado e ele mesmo afetado pela operação, Picciani deve ganhar um cargo para não ficar no sereno. Deve ser o comandante da Secretaria Nacional de Saneamento, dentro do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.
Confirmada a nomeação, Picciani terá em suas mãos uma ótima oportunidade de fazer política numa secretaria com dinheiro. Mais ainda porque o estado do Rio, sua base eleitoral, tem prefeituras com muitas dificuldades na área.
Além de dinheiro, as obras de saneamento são visíveis: é a água que poderá chegar à torneira do cidadão e o esgoto que deixará de correr na porta de casa. Segundo um interlocutor do ex-deputado, uma ótima oportunidade para fortalecer novamente o MDB no estado.
A ligação de Leonardo Picciani é anterior ao apoio a Lula. Ele fez oposição a Eduardo Cunha, que à época pertencia ao mesmo MDB, e defendeu o mandato de Dilma Rousseff, quando seus aliados e correligionários articulavam a ascensão de Michel Temer à Presidência. O então deputado votou contra o impeachment.

