Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), admitem que o órgão não fez um alerta sobre a possibilidade de atentado na praça dos Três Poderes na noite de quarta-feira (13). Na ocasião, Francisco Wanderley Luiz provocou duas explosões nas proximidades do Supremo Tribunal Federal e morreu.
Francisco Wanderley fez publicações nas redes sociais que indicavam potencialidade para tentar alguma ação violenta. Saiu de uma cidade no interior de Santa Catarina. Em Brasília desde julho, alugou uma casa e um trailer.
As informações não foram captadas pela Abin, segundo fontes da agência em conversa com o Bastidor. O órgão só produziu um relatório depois da tentativa de atentado. Muitas das informações divulgadas pela Abin nesta quinta-feira (14) já estavam na imprensa desde ontem à noite. Foi uma forma, segundo um servidor do órgão, de o comando da Abin dar uma satisfação pública.
Todas as atenções da Abin estão voltadas para o G20, o encontro das principais economias do planeta, no Rio de Janeiro, a partir desta quinta. Internamente, houve um alerta para o risco de eventos extremistas, devido à presença de diversos chefes de estado.
Em agosto, o Bastidor noticiou que servidores da Abin acusam o governo Lula de impor novas regras que, na prática, limitam sua atuação. Diversas atividades de inteligência, entre elas a de identificar suspeitos de cometimento de atos violentos, estão prejudicadas após o diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa, publicar em março uma portaria que exige a abertura de um processo interno para ter acesso aos bancos de dados.
A Abin carece de acesso a sistemas que ajudariam a alertar sobre Francisco Wanderley, como o Guardião, que permite acompanhar câmeras em rodovias. Há restrições também ao Infoseg, rede nacional que integra informações dos órgãos de segurança pública, justiça e de fiscalização em todo o país, que mostraria os antecedentes criminais do autor do ato.

