A campanha ao governo da Bahia demonstrou que ACM Neto herdou do avô somente o nome e a truculência política. A astúcia que definiu, para o bem e para o mal, o patriarca da família passou longe do herdeiro. Também lhe faltam capacidade de cumprir compromissos firmados e de se adaptar às circunstâncias eleitorais. ACM Neto revelou-se um amador.
Neto cometeu erros primários na condução de sua campanha. No primeiro turno, o mais evidente envolveu a piada do ano: ele se declarou pardo – e, confrontado com a afirmação insólita, insistiu e se queixou de perseguição. Virou meme.
Agora, pressionado pela adversidade de um segundo turno desfavorável, conseguiu cometer mais um erro fundamental. Liberou seus aliados mais próximos para apoiar Jair Bolsonaro. Anteontem, o presidente, em campanha no estado, chegou a declarar que Neto é o candidato dele.
Nas últimas semanas, o candidato do União Brasil tentou a todo custo manter distância de Bolsonaro. Como Lula tem cerca de 70% de preferência na Bahia, Neto se esforçou para não alienar esse segmento do eleitor. Em vão.
Aos poucos, os principais aliados de Neto aderiram à campanha de Bolsonaro. Entre eles, os deputados Arthur Maia e Elmar Nascimento – um parlamentar conhecido pelas suspeitas de corrupção na Codevasf e que, inclusive, ameaçou ontem o Supremo. Até o marido de Ana Coelho, vice na chapa de Neto, declarou apoio a Bolsonaro.
Com a associação explícita entre Neto e Bolsonaro, as chances de vitória do ex-prefeito tornam-se ainda mais escassas. Jerônimo Rodrigues, o candidato de Lula e do PT, quase liquidou a eleição no primeiro turno. Lidera com folga no segundo turno. Bolsonaro forneceu tudo o que o petista precisava para chegar forte no dia 30.

