Aliados do presidente Jair Bolsonaro tentam dissuadi-lo de mandar ao Senado pedidos de impeachment contra os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, ambos do Supremo Tribunal Federal. Dizem que é um erro político. Por enquanto, Bolsonaro dá de ombros aos conselhos.

O raciocínio levado ao presidente é que, ao tentar cassar os ministros do STF, acabará forçando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a se mostrar como um homem ponderado e equilibrado. E é tudo o que o senador quer, de acordo com os aliados de Bolsonaro.

Gilberto Kassab tenta viabilizar Pacheco como candidato ao Planalto. De olho na possibilidade, Pacheco se distanciou do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do próprio Bolsonaro, abandonando sua postura normalmente discreta para marcar posição em defesa da democracia.

Recentemente, Pacheco afirmou que alterações na legislação eleitoral aprovadas pela Câmara que signifiquem retrocesso, como a volta das coligações e travas ao Tribunal Superior Eleitoral, não passarão no Senado.

Também defendeu a independência dos Poderes, quando os comandantes das Forças Armadas e o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, atacaram o presidente da CPI da Pandemia, Omar Aziz.

Parlamentares do centrão reclamam da dificuldade do presidente em compreender que seus gestos de afronta aos demais Poderes só agradam os seus apoiadores, insuficientes para garantir uma reeleição.