Por certo não se trata de um fenômeno novo, mas de uma característica enraizada da nossa autoritária cultura político-jurídica. Fala-se aqui da ideologia da estabilidade, cujo corolário é a manutenção das coisas como elas sempre foram.

A interpretação de que uma pretensa estabilidade institucional imediata deve sobrepor-se à correta aplicação das leis e da Constituição é comum em Brasília. Segue prevalente.

Essa mentalidade fundamentou, por exemplo, um dos casos recentes que mais dano causaram à legitimidade do nosso Judiciário: a absolvição no TSE da chapa Dilma/Temer por excesso de provas, como se brincou, mas nem tanto.

O julgamento no plenário virtual Supremo sobre a reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre alicerça-se, até o momento, na mesma ideologia corrosiva.

Parece paradoxal, mas a pretensa estabilidade a qualquer custo no curto prazo tem grandes chances de significar instabilidade institucional no longo.

Fica a pergunta: se, por exemplo, o TSE tivesse cassado a chapa Dilma/Temer, o Brasil teria eleito Bolsonaro?