Jair Bolsonaro começa aquela que talvez a semana mais decisiva de seu mandato como presidente até agora. Está em jogo o futuro político dele e de seu projeto de poder.

Para diminuir substancialmente o risco de sofrer um impeachment, Bolsonaro precisa eleger Arthur Lira presidente da Câmara.

Não será barato. Embora Lira seja favorito, uma possível vitória dele ainda depende da disposição do Planalto em fechar acordos vantajosos com as principais bancadas. (Os acordos envolvem cargos, emendas e promessa de interlocução política qualificada dos deputados junto aos órgãos do governo.)

O presidente e seus articuladores precisarão empreender esses esforços num ambiente de alta pressão política, no qual combinam-se queda de popularidade e críticas severas pela condução do governo na pandemia.

Bolsonaro se recusa a demitir Eduardo Pazuello, o ministro que simboliza a inépcia e a incúria do governo numa crise sanitária cada vez mais grave – um ministro que será investigado, ao menos formalmente, pela Procuradoria-Geral da República.

Caso a pandemia siga seu curso devastador nos próximos dias, com pessoas morrendo asfixiadas por falta de oxigênio, o presidente provavelmente precisará escolher entre seu mandato e seu ministro favorito.

Não se sabe como ele agirá. Mas, enquanto Bolsonaro mantiver a postura negacionista diante da pandemia, não haverá estabilidade política em Brasília.