Por ora, está dando certo a simples, embora eficaz estratégia de Jair Bolsonaro e de seus aliados para chegar potencialmente forte em 2022: dividir seus opositores.
O principal objetivo dos operadores políticos de Bolsonaro é evitar, ou atrapalhar, uma candidatura de centro-direita que una PSDB, DEM e MDB.
Por enquanto, esse objetivo está sendo parcialmente alcançado. Bolsonaro e seus aliados usam todas as oportunidades possíveis para explorar divisões que já existiam, em algum grau, nesses partidos. É uma estratégia militar e política clássica.
O principal método de ataque para estimular as fissuras são cargos no governo, além de todas as benesses que advêm de um apoio político sólido do Executivo. É a velha política que, apesar da promessa de Bolsonaro e de algumas vitórias da Lava Jato, permanece jovem, saudável e lucrativa.
Esse método funcionou com os três partidos: MDB, PSDB e, agora de modo mais visível, DEM. Aliar-se ao governo permite aos chefes partidários uma vantagem competitiva para consolidar espaço em suas legendas, em prejuízo de seus concorrentes internos.
A ausência de nomes avaliados como competitivos para concorrer com Bolsonaro ajuda – e muito – o governo. Doria é o único político desse campo que se posiciona claramente para assumir essa missão. O tucano, porém, tem dificuldade para consolidar seu nome no PSDB. Nos demais partidos, ainda prevalece o juízo de que Doria não tem condições de unir a centro-direita numa candidatura competitiva. Nem Luciano Huck.
Sergio Moro, o nome mais temido por Bolsonaro, segue fora da pré-campanha, não tem apoio político, mesmo que quisesse, para liderar a centro-direita – e seguirá sendo queimado pela chamada Vaza Jato.
Por fim, Bolsonaro e seus aliados esperam que o Supremo acolha o pedido de suspeição de Moro e libere Lula para concorrer em 2022. Uma candidatura de Lula ou de algum aliado do petista dividiria ainda mais a oposição a Bolsonaro em 2022 – e, consequemente, dividiria o eleitorado que não quer a reeleição do presidente.
Quanto mais dividida e fraturada a oposição a Bolsonaro, seja à direita, seja à esquerda, maior a chance de que o presidente tenha condições de se reeleger.
Ainda faltam 16 meses para a campanha presidencial – uma eternidade no calendário político. Os movimentos de Bolsonaro e seus adversários, no entanto, indicam um cenário mais promissor ao presidente do que sua baixa popularidade sugere.

