O impacto político da operação da Polícia Federal que acossa o presidente Jair Bolsonaro e seu filho Carlos é maior do que qualquer um de seus problemas anteriores. Está claro que Bolsonaro tinha uma parte da Abin trabalhando para seus interesses pessoais – apenas para eles.
Nesta segunda, a PF foi a endereços de Carlos Bolsonaro e à casa da família, em Angra dos Reis, para coletar provas. Há a suspeita de que Carlos recebia informações da Abin sobre adversários políticos, algo completamente fora da lei. Segundo a PF, parte da Abin trabalhava para Bolsonaro, espionava adversários da política e da Justiça e até aliados.
Hoje, não apenas os adversários, mas todos os aliados de Jair Bolsonaro estão a se perguntar se foram espionados pelo o que a PF chama de Abin paralela. Todo o mundo político sabe que Bolsonaro sempre trabalhou para si e para a família, nunca foi um aliado confiável; sempre jogou apenas para si, muito pouco para grupos.
Políticos de Brasília em especial têm certo desprezo por Carlos. O vereador sempre foi considerado o filho mais arredio e radical do presidente, o controlador do “gabinete do ódio”. Grande parte dos que apanharam dos seguidores de Bolsonaro nas redes sociais atribui culpa a Carlos.
A política é um mundo de traições, mas a confiança e a gratidão formam sua base. Bolsonaro nunca foi visto como alguém confiável, mas, se confirmada, a descoberta do que fazia sua Abin vai além disso. Será mais complicado para Bolsonaro obter algum tipo de apoio no futuro – e ele precisará.
Inelegível e ameaçado de prisão pelo roubo das jóias da Presidência e pela ameaça de golpe de Estado, Bolsonaro estava em situação política difícil. Agora, sua vida ficará um tanto impraticável. Ele terá mais dificuldades ainda para fazer prevalecer suas preferências de candidatos do PL nas eleições municipais.
Se o Supremo decidir por sua prisão no futuro próximo, será menor o número de políticos da direita dispostos a lutar pelo seu antigo líder.

